A preparação
O Império de Hitler
No
meio do verão de 1943, um ano antes da invasão anglo americana à
Normandia que levaria a libertação da Europa ocidental, as forças armadas
de Hitler continuavam a ocupar todos os territórios conquistados durante a
Blitzkrieg de 1939-1941 e a maioria das conquistas na Rússia de 41- 42. A
Alemanha também mantinha suas conquistas da África quando teve que ajudar
seus aliados italianos em 1941. Os contra ataques russos em Stalingrado e
Kursk haviam empurrado de volta o perímetro da Europa de Hitler no leste.
Mesmo assim, Hitler ainda controlava grande parte da Europa, com exceção
dos neutros Espanha, Portugal, Suíça e Suécia. A economia de guerra nazi,
apenas superada pelo crescente poder da América, era maior que as economias
britânicas e russas, exceto em certas áreas chaves como na produção de
blindados e aeronaves. Sem uma direta intervenção dos aliados ocidentais
no continente – intervenção concentrada no comprometimento do Exército
Americano – Hitler poderia contar com o prolongamento de sua dominação
militar por muitos e muitos anos.
O Segundo Fronte.
Desde 1942, o líder soviético Joseph Stalin pressionava seus aliados, o Presidente Roosevelt e o Primeiro Ministro Churchill para que abrissem um segundo fronte no oeste, mas isso era impossível naquelas circunstâncias. O exército americano ainda se formava e as barcaças necessárias para o desembarque dessas tropas ainda estavam sendo construídas. Mesmo assim, a Inglaterra havia iniciado a preparão teórica dos planos para uma invasão do continente logo após a retirada de Dunquerque, França, em 1940, e os americanos prepararam outra logo após Hitler ter declarado guerra aos Estados Unidos em dezembro de 41. Menos cautelosos que os Britânicos, os americanos faziam campanha por uma invasão em 1942, talvez até em 1942. Para chegar a esse fim, o Chefe de Estado Maior dos EUA, Gal. George Marshall, indicou seu protegido, o Gal. Eisenhower para liderar a Divisão de Planos de invasão do Exército Americano e deu a ele a responsabilidade de criar um esquema operacional para a vitória aliada.
Operations "Roundup" and "Sledgehammer"
Convencido
de que a prioridade era atacar a Alemanha, prioridade essa que tivera a anuência
de Churchill e Roosevelt em agosto de 1941, Eike desenvolveu uma proposta
para invasão em 43 (Operação Roundup) e outra para 42 (Operação
Sledgehammer) no caso de um colapso russo ou de uma fraqueza repentina nas
defesas alemãs. Ambos os planos foram apresentados aos britânicos em
Londres em Abril de 1942, e a Operação Roundup foi aceita. Os britânicos,
entretanto, tinham duvidas quanto a alguns objetivos, e nas subseqüentes
conferencias anglo americanas, persuadiram os americanos a aceitar, para
1942, uma operação de desembarque nas praias do norte da África. A Operação
Tocha, efetivamente adiou a Roundup, enquanto operações na Sicília e no
continente italiano atrasavam a preparação para a invasão do continente
em 43. Os adiamentos foram o assunto de interesse das conferencias em
Washington, Quebec, Cairo e Teerã. Roosevelt e Stalin concordavam que maio
de 1944 era uma data inalterável, o que discordava Churchill. Em
contrapartida ao início do Fronte Oeste, Stalin se propunha a montar uma
contra ofensiva no leste e a se unir na guerra contra o Japão, tão logo a
Alemanha capitulasse.
Operação "Overlord"
A decição tomada em Teerã indicou a determinação americana em cruzar o canal e derrotou o Chefe de Estado maior de Churchill, Alan Brooke, que era o principal oponente a uma invasão prematura. Mesmo com a opinião contrária de Brooke, os britanicos tinham, de fato, feito planos estruturais para uma invasão, coordenados pelo Gal. Morgan, que aviasido indicado para Chefe de Estado Maior aliado combinado na conferencia de Casablanca, em 43. O primeiro plano para a Overlord desenvolvido pelo staff do Gal. Morgan, previa uma invasão a Normandia entre Caen e a península de Cotentin num esforço de trÊs divisões, com duas brigadas aerotransportadas. Outras onze divisões desembarcariam nas duas primeiras semana em dois portos artificiais a serem construídos. Assim que a cabeça de ponte estivesse estabelecida, uma força de 100 divisoes, a maioria enviada diretamente dos EUA, seriam desembarcadas na França para o ataque final a Alemanha. Em janeiro de 1944, Eike se tornou Comandante Supremo Aliado e o SHAEF foi criado (Supreme Headquarters Allied Expeditionary Force.).
Fortaleza Europa
Hitler
vinha sendo alertado sobre uma eventual invasão aliada pelo canal, mas as
forças aliadas no mediterrâneo e a guerra no leste o levaram a deixar essa
ameaça em segundo plano. Em novembro de 43, entretanto, ele aceitou isso não
podia ser mais ignorado e em sua Diretiva 51 anunciou que as defesas na França
deveria ser reforçada. Para coordenar a construção das defesas, Hitler
nomeou o Marechal de Campo Erwin Rommel, ex-comandante do Afrika Korps, como
inspetor de defesa da cosata e também comandante do grupo de exércitos B,
que ocupavam o litoral ao longo do canal. Como comandante do grupo de exércitos,
Rommel oficialmente se reportava ao Comandante no Oeste, Gerd Von Rundstedt.
Organizando as forças, 1943-44
Os comandantes aliados.
Em janeiro de 1944, os aliados nomearam como comandante da invasão o Marechal Bernard Montgomery. Adversário de Rommel no norte da áfrica, Montgomery foi nomeado como comandante das forças em terra. Beddel Smith, um americano, continuou como Chefe de Estado Maior de Eisenhower, mas seus principais subordinados eram todos britânicos: Marechal do Ar Arthur Tedder como seu vice, Almirante Ramsay como comandante naval, e o Marechal do AR Mallory como chefe da Força aérea aliada.
As
primeiras ações de Montgomery foram: escolha de cinco divisões para o
desembarque inicial, o aumento da área de desembarque incluindo o estuário
do rio Orne e a base da península de Cotentin. Em sua constituição final,
a força de invasão teria cinco divisões de infantaria, duas americanas,
duas britânicas e uma canadense, que lutariam nas praias de nome código,
do oeste para leste, Utah, Omaha, Gold, Juno e Sword. No dia D (o primeiro
dia que foi escolhido para a invasão), duas divisões aerotransportadas
seriam lançadas atrás das linhas a oeste e uma divisão inglesa a leste,
enquanto os blindados anfíbios estariam desembarcando as tropas nas praias.
Os americanos iriam usar o 1º Exército, sob o comando do Gal. Bradley e os
britânicos e canadenses o 2º Exército Britânico, sob o comando do Gal.
Dempsey. As divisões britânicas estiveram sob intensivo treinamento deste
42. Os americanos, desde 43. Enquanto isso, estavam sendo preparados pela
logística, em maio de 44, aproximadamente 6.500 barcos e barcaças de
desembarque, que iriam desembarcar aproximadamente 200.000 veículos e
600.000 toneladas de suprimentos nas primeiras 3 semanas de operação.
A campanha no Ar.
A invasão teria a cobertura de mais de 13.000 caças, bombardeiros e transportes, contra uma Luftwaffe que poderia deslocar para a defesa da Normandia apenas 400 aparelhos no dia D. Entre 1º de abril e 5 de junho, as forças anglo americanas bombardearam as forças defensoras com aproximadamente 11.000 aeronaves, voando mais de 200 000 sortidas, despejando 195 000 toneladas de bombas nos centros ferroviários franceses, estradas, aeroportos alemães, instalações de radar, bases militares e contra a artilharia de costa. Mais de 2000 aeronaves aliadas foram derrubadas nestes ataques preliminares, mas a campanha alcançou seus objetivos, destruindo todas as pontes nos rios Seine e Loire e isolando a área de invasão do resto da França. A Luftwaffe percebeu que o fator principal da invasão antes e durante era a indiscutível superioridade aérea do inimigo.
Ilusão e artimanhas.
A campanha aérea foi desenha não apenas para enfraquecer e atrapalhar os preparativos alemãs de defesa, mas também para iludi-los. Dois terços das bombas foram lançadas fora da área de invasão, buscando persuadir o inimigo de que o desembarque seria a nordeste do Seine, em particular, em Pás de Calais, diretamente no lado oposto de Dover, Inglaterra, ao invés da Normandia. Ao mesmo tempo, através da secretíssima operação Ultra, os aliados já estavam decodificando as transmissões secretas alemãs, mostrando as forças da Overlord exatamente de onde o contra ataque alemão viria.
Com espúrias mensagens de rádio, os aliados criaram um completo exército fantasma, baseado no sudeste da Inglaterra (exatamente na costa oposta de Pás de Calais) e elegeu como Comandante o general americano George Patton (Patton iria posteriormente a Normandia para liderar as tropas na Bretanha.). Alem disso, na noite da invasão, uma ilusão criada pelos aliados, mostrava nos radares alemães uma figura fantasma de uma frota crusando o canal em Pás de Calais. Enquanto as forças alemãs se organizavam, a verdadeira invasão estava em andamento na Normandia.
Minas na praia, blindados na reserva.
Os alemães não estava interamente iludidos. O próprio Hitler declarou ter tido uma premonição sobre a Normandia. Entretanto, a disposição das tropas estava feita. Rommel, em seu breve período como responsável pelo Muro do Atlântico, havia pedido a instalação de minas. No dia 5 de junho, haviam mais 4 milhões de minas nas praias. Ele não pode, entretanto, posicionar as forças blindadas alemãs como queria. Rundstedt preferiu segurá-las como reserva fora da costa. Rommel temia que as divisões fossem aniquiladas pela aviação aliada e preferia mantê-las próximo da praia. Hitler, mediando essa disputa, dividiu as forças blindadas, mantendo parte com Rommel, parte com Rundstedt e parte sob seu próprio comando. O restante do Grupo de Exército de Rommel era formado pelas divisões de infantaria do 7º Exército, sob o comando de Dollman na Normandia e Bretanha e pelo 15º Exército, sob o comando de Salmuth em Pás de Calais e a leste. As forças reservas de blindados, com o nome de Grupo Blindado do Oeste, que era comandado por Von Schweppenburg, passou a estar sob o direto comando de Rundstedt.
Fonte: http://www.clubedosgenerais.org/
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